sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Os Lados da Política


Em um primeiro momento as palavras: direita e esquerda, não passam de substantivos comuns em nosso dia-dia. Porém, quando entram no contexto político elas ganham dimensão e importância social e histórica. Se tornando uma das maiores disputas da história mundial. O filósofo político italiano, Noberto Bobbio definia assim, esses conceitos políticos: “Enquanto a esquerda acredita que todos os homens são iguais e devem ser tratados como iguais a direita acredita que os homens são diferentes e devem ter tratamento diferenciado”. Seja de qual forma e com propostas diferentes ambas buscam o mesmo propósito, o poder.
De acordo com o professor de história, João Francisco, o conceito de esquerda e direita tem origem no fim do século XVIII durante a Revolução Francesa. Segundo ele, durante as assembléias constituintes organizadas pelo rei Luis XVI, existiam dois grupos opostos, uns eram compostos pelos nobres, burgueses, proprietários de terra e parte do clérigo e ficavam a direita do plenário, já os outros que ficavam a esquerda, eram membros da pequena burguesia e pessoas que buscavam reformas maiores, como o fim da monarquia, por exemplo, esses ficavam a esquerda.  “Com o início da Revolução de fato, eles se dividiram entre Girondinos (de direita) e Jacobinos (Esquerda), apesar de que vários dos girondinos eram originários da “esquerda”, conta o professor, que defende que mesmo com a queda da U.R.S.S, maior representante histórico para ele da “esquerda”, e o enfraquecimento mundial da política neo-liberal implantada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan e a ex-primeira ministra do Reino Unido Margaret Thatcher, que em sua opinião melhor representou o conceito de “direita”, ainda existe “esquerda” e “direita”, principalmente como conceito, propostas, porém não chegam ao poder com a mesma força. “Hoje um modelo mais “centrista”, que normalmente sempre pende para “direita” domina a política mundial”, Diz João Francisco.
O sociólogo e filósofo, Wladimir Souza, tem uma opinião diferente de João, para ele, “esquerda” e “direita” não existem mais. Com o termino do que ele define como “grandes utopias”: socialismo, comunismo, capitalismo, etc. “Hoje o que percebemos no aspecto social é o plural, complexo e heterogêneo. Portanto as grandes ideologias perderam sentido e significado. O que há hoje é a mistura, quem é de “esquerda” se une com quem é de “direita” e vice-versa. Cada um procura uma ideologia do sentido e significado da própria vida, sem projetos e uma ideologia (no sentindo político) definida, isso é a pós-modernidade”, disse Wladimir, que não crer na volta, mesmo que com uma evolução conceitual, da “esquerda” ou “direito”, para ele a mistura proporcionada pela pós-modernidade irá cada vez se propagar mais, fazendo as pessoas buscarem a absorver o plural para construir sua própria ideologia.
 Hoje mesmo dentro dessa pós-modernidade, muitos ainda seguem, ou dizem seguir, os conceitos de “esquerda” e “direita”, já outros realmente procuram apenas absorver o que de melhor as ideologias tem a dar e definem como pessoas de “centro”, todos buscando seus espaços dentro de uma conjuntura política democrática, ou não.

Há Esquerda

Por: J. C. David


Estar ao lado do povo, dos oprimidos, defender a soberania do estado, igualdade social, lutar contra o capitalismo... Essas são algumas das características de quem se denomina de esquerda, mesmo que seguidor de uma “escola” diferente seja ela o leninismo, maoísmo, Luxemburguismo, castrismo, entre outros. Todos eles de certa forma, nascidos do Marxismo e seguindo a linha comunista/socialista, que já teve influência sobre boa parte do território mundial, hoje encontra-se mais enfraquecida, ou sobrevivendo dentro de um modelo mais populista, como maior exemplo a  Venezuela e Cuba, ou mesmo dúbio como a China e de certa forma o Brasil.


Mas fugindo a conceitos históricos e teóricos é possível sim dizer que a esquerda ainda existe. O professor da UNICAMP (Universidade de Campinas) Ricardo Antunes, define que ser de esquerda é ser contra a lógica destrutiva do capital, que é responsável pela degradação ambiental, destruição do trabalho e o empobrecimento e miserabilidade de bilhões de pessoas. E o secretário de organização do PCB, Luciano Morais é um desses que se definem de esquerda. “É uma opção de luta, de militância ao lado do povo, dos trabalhadores do movimento estudantil”, afirma Luciano que tem no PCB seu único partido durante toda sua vida de militante. Ele também critica o processo de “metamorfose” que ocorre nos movimentos sociais e partidos que se denominam de esquerda, como PC do B e PT; para ele esse processo apenas legitima o falso axioma de que não existem mais ideologias, ou que a esquerda morreu. “Esse é uma linha de pensamento que só favorece a direita. Muito dela advém do livro “O fim da história” de Fukoyama. E foi algo até engraçado, enquanto Fukoyama pregava que com a derrota da União Soviética e a queda do muro de Berlim o socialismo chegava ao fim, no México, no mesmo dia, houve um levante do movimento zapatista de cunho socialista”, disse o secretário do Partidão (como é conhecido o PCB).
"Se houver um movimento legitimo pela defesa da igualdade, estarei lá"
Não é apenas dentro dos movimentos políticos que existe a esquerda, a estudante de Aline Oliveira nunca participou de nenhum movimento político, porém, se considera de esquerda. “Ser de esquerda é ser crítico a uma realidade muitas vezes maquiada pela mídia é estar ao lado do povo, sem necessariamente fazer parte de um grupo político, até porque para mim atualmente política é uma ação pessoal”, diz a jovem de 20 anos que não pensa em se filiar a algum partido, porém não foge a “Luta”. “Se houver um movimento legitimo pela defesa da igualdade, estarei lá”.
A esquerda existe! Mais forte em alguns locais, fraco em outros, vestido com o manto do populismo em alguns países e das ditaduras em outros, mas existe. Nas ações, ideias, propostas e lutas de classes sociais que buscam estar ao lado do povo, dos oprimidos, defender a soberania do estado, igualdade social, lutar contra o capitalismo...

Com a palavra...

Roberto Numeriano presidente estadual do PCB (Partido Comunista Brasileiro) que fala sobre porque escolheu ser de esquerda.


Karl Marx em Áudio

Saiba um pouco mais sobre Karl Marx e sua principal obra, o manifesto comunista.


Entrevista: Plínio de Arruda Sampaio

Com 80 anos de vida, mais de 40 destes dedicados À esquerda, o advogado e professor e candidato a presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), Plinio de Arruda Sampaio é um dos principais expoentes da esquerda no Brasil, além disso, ele atualmente preside a Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), além de dirigir o semanário Correio da Cidadania, sendo um dos nomes mais importantes quando o assunto é direitos sociais. E é essa importante figura da política nacional que o blog Os Lados da Política entrevistou. Nessa entrevista ele fala sobre a situação da esquerda no país, seu futuro e os principais desafios.

        O que é ser de esquerda?

Plinio Arruda: Ser de esquerda é ser socialista. De esquerda quem prioriza o povo; de direita, quem prioriza o capital.

2)          Você vê a divisão da esquerda entre pensamentos como, Trotskismo, Maoísmo, Leninismo, entre outros, como algo positivo, ou que serve apenas para “separar” e consequentemente atrapalhar uma vitória da esquerda? E pegando gancho nesse assunto, isso acontece no Brasil, com a separação dos partidos declarados de esquerda, como Psol, PSTU, PCB e PCO?
PA: Diferenças não são, em principio, negativas. O modo de discuti-las é que conduz à divisão. Isto vale para a separação entre os partidos de esquerda nacionais.

3)         Nas ultimas eleições presidenciais juntos os quatro partidos declarados de esquerda não conseguiram 1% dos votos, por quê? O Brasil não está preparado ainda para um governo realmente de esquerda?
PA: Este é o principal motivo.

4)         Ocorrendo um governo de esquerda não há o risco de outro golpe militar ou se não militar, da “grande mídia” ou dos banqueiros e grandes empresários?
PA: Sim. Toda vez que um governo aproximar-se da esquerda, a direita se mobilizará para derrubá-lo.

5)          A esquerda no Brasil não está muito “acadêmica”, técnica demais, ou seja, muitas propostas, idéias e pouca participação, pouca influência entre comunidades mais pobres ou no interior do Brasil? Não está se resumindo demais as grandes cidades?
PA: A esquerda não consegue ultrapassar um circulo estreito de pessoas por causa da mídia e também por causa, não do seu academicismo, mas por falta de estudo sério do marxismo e da realidade brasileira.

6)           Hoje, qual o maior inimigo da esquerda. A “grande mídia”, empresários (banqueiros, por exemplo) à direita, ou todos são a mesma coisa?
PA: Os empresários e a grande mídia.

7)          Qual o futuro da esquerda na conjuntura política mundial, ainda há espaço para o “comunismo bruto”, ou ele precisa se reinventar ou modernizar?
PA: Tenho insistido na necessidade de reformular a proposta sem afetar sua essência.
   
8)         O que você diria para quem fala que esquerda e direita não existem mais?
PA: Diria que é um discurso de direita, destinado a impedir que as pessoas examinem esta alternativa de poder.

Há Direita?

Por Fabio Jardelino


Não seria errado dizer que hoje em dia o mundo tende a extinguir as vertentes políticas, seja ela de Direita ou de Esquerda. A luta travada por essas duas correntes ideológicas, desde as suas consolidações no sec. 20, foi algo inédito na historia da humanidade. Contudo, essa “luta” não conseguiu resistir ao tempo. Até 1989, ano que foi derrubado o muro de Berlin, o maior símbolo da guerra ideológica travada pelos Estados Unidos com seu capitalismo neoliberal e pela União Soviética, atual Rússia, carro chefe do comunismo, o mundo vivia uma divisão de lados; ou se era de Direita ou se era de Esquerda.   
           
 Seguindo essa linha, o Brasil precisava decidir um lado. Para isso deve-se considerar o histórico dos governantes que assumiram o poder desde o fim da republica velha. Dentre eles, podemos citar Gétulio Vargas como ditador e depois como presidente eleito de 1951 e por Juscelino kubitschek, presidente que criou o distrito federal, Brasília. Em 1961, Janio quadros renuncia ao poder e assume o seu inimigo político João Goulart, até então vice-presidente do Brasil. Muito próximo de Brizola, político que defendia a bandeira vermelha do comunismo, o medo de um possível golpe comunista foi pairando nas terras nacionais. Impulsionado pelos Estados Unidos, em março de 1964, o Exército mobiliza suas tropas e parte para o que mais tarde se chamaria de Revolução Militar de 64 (ou golpe de 64), onde Goulart é deposto do poder, para o general Castelo Branco assumir o papel de presidente. Aparentemente, estava decidido que o Brasil havia rumado para a Direita, ficando ao lado dos Estados Unidos, líder do capitalismo.
           
 Nessa época que o Brasil viveu sobe a ditadura militar, ficou parcialmente definido o que era direita e esquerda. O principal partido do governo, a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), de direita, se opunha ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que em decorrência dos vetos do governo, não tinha força política. Vindo aos dias atuais, o Democratas (DEM) antigo Partido da Frente Liberal (PFL), é o atual “herdeiro” político da ARENA. Apesar disso, não se pode considerar o DEM como sendo um partido de direita. Do outro lado, temos o Partido dos Trabalhadores (PT), surgido em 1980, seguindo a linha esquerdista sindical. O PT, que atualmente é o partido da situação, sendo a Presidenta eleita da República, Dilma Roussef e Lula, Presidente do Brasil, como seus principais líderes. Apesar disso, assim como o DEM, não podemos considerar o PT como um partido de esquerda. Tanto pela linha econômica que segue, quanto pelas alianças políticas que possui. Então, porque continuam com essa bipolarização política no Brasil? A verdade é que a sociedade precisa de uma ideologia para seguir ou ao menos para entender o processo político.            
          
 Se considerar de Direita no Brasil de hoje é uma tarefa árdua. Apesar do PT, ser de esquerda e ter tendências conservadoras ou partidos tidos de direita, como o DEM, o PSDB ou o PPS, serem parcialmente liberais, ainda existem certas divisões ideológicas entre essa atual e enfraquecida “esquerda x direita”. Porém, não são essas diferenças que são levadas em consideração hoje em dia. Com apoio da propaganda política, quem se diz de direita é praticamente tachado de retrogrado ou até de Nazista (o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – NAZISTA – foi um partido político alemão, que apoiou Adolf Hitler durante a década de 30, até 1945, com a sua morte ao fim da segunda guerra mundial), ao contraponto disso, quem se diz de esquerda, é visto como “revolucionário” moderno, tendo pensamentos progressistas; usando uma bandeira de um falso comunismo, seguida de uma imagem distorcida de guerrilheiros como Chê Guevara e algumas figuras que marcaram a oposição ao golpe militar brasileiro, o esquerdismo utópico consegue adeptos.
           
 Direita no Brasil é sinônimo de “errado”. Por isso a bancada de oposição, da Direita ou centro-direita, está cada dia menor e mais sem forças para disputar com a situação que é “de esquerda”. Isso tudo soa muito perigoso, visto que a distancia de um governo democrático sem oposição para um ditatorial é muito pequena.

Com a palavra...

Osmar Morais Santos, Secretário da Juventude do DEM. Explica o que é um partido de direita, ou liberal, como ele denomina.


Max Weber em Áudio

Saiba um pouco mais sobre Max Weber e sua principal obra, Ética Protestante e Espírito do Capitalismo.


Entrevista: Roberto Magalhães

O atual deputado federal pelo estado de Pernambuco, Roberto Magalhães, possui uma longa carreira na política recente brasileira. Ele é sobrinho de
 Agamenon Magalhães, que foi deputado estadual e deputado federal por Pernambuco, interventor e governador de Pernambuco, ministro do trabalho e da justiça, e professor catedrático de teoria geral do estado na Faculdade de Direito do Recife. É graduado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e possui doutorado em direito privado pela Universidade Federal de Pernambuco.
         Considerado um dos homens sérios da política brasileira, o Deputado conta com um currículo invejável. Filiado pelo partido Democratas (DEM), Roberto Magalhães encontra-se na sua quarta legislatura (1990/1994, 1994/1998, 2002/2006 e 2006/2010). Ele também foi governador do estado de Pernambuco de 1983/1986 e prefeito da cidade do Recife de 1996/2000.
        
1 - Dr. Roberto, ideologicamente como o Senhor se define? Quais os principais fatores que levaram o Senhor ao partido Democratas?
Me defino como tendo sido um político vitorioso.  Fui Vice Governador e Governador de Pernambuco, Prefeito do Recife e Deputado Federal, durante a minha trajetória recebi 3.715.537 votos dos Pernambucanos.  Não me considero um político de direita, costumo me guiar pela coerência, isso pode ser comprovado em todas as minhas atitudes e sobretudo pelo fato de ter me submetido ao voto direto em 08 eleições, sendo 04 majoritárias.  No que diz respeito a escolha partidária, posso dizer que quando fui convidado para ser Secretário de Educação do Estado de Pernambuco, na gestão do saudoso Nilo Coelho, passei a participar de um grupo o qual hoje é filiado ao DEMOCRATAS.

2 - Dr. Roberto, por favor, defina o momento político brasileiro, sob o ponto de vista ideológico?
Tanto Lula como seus principais auxiliares, assim como a nova Presidente Dilma Roussef se dizem socialistas, mas o socialista tem diferentes gradações, pode ser democrático por princípio, pode ser democrático por conveniência e pode ser democrático nas aparências mas ter um claro viés autoritário.

3 - Dr. Roberto, qual o conselho que o Senhor daria a um jovem político, dito de direita,  que inicia sua carreira em Pernambuco?
Diria que antes de iniciar sua carreira política fizesse algumas colocações, como: Por que quero ser político?  Como político, o que procurarei fazer?  Terei zelo pela coisa pública?  Caso as respostas sejam satisfatórias, gostaria de adverti-lo sobre a escolha do partido que deve estar harmonizado com a sua ideologia e ao mesmo tempo seja dirigido e tenha quadros importantes que se dispunham ajudá-lo.  As vezes um Partido atrapalha mais do que ajuda.

4 - Dr. Roberto, sua atuação política foi e é marcada pela coerência, honestidade, seriedade com a coisa pública e, sobretudo pela firmeza dos seus atos. O Sr. acha que esses atributos estão em falta no atual quadro político ideológico brasileiro?
Sempre houve carência dessas virtudes na política, mas atualmente a corrupção alcançou um grau que perigosamente levou uma grande parte dos brasileiros, isso vai gradativamente acostumando à banalização da corrução no serviço público.

5 - Dr. Roberto, no governo,  como o Sr. enfrentaria uma situação semelhante a que ocorre no RJ, aqui em PE?
Faria o que fiz como Governador de Pernambuco, escolhendo bem os Comandantes da Tropa Militar, especialmente o Comandante da Polícia Militar, e Secretrário da Segurança Pública que me fossem leais.  Sou contrário a indicações de Secretários Estaduais e de Ministros, no âmbito Federal, indicados por Partidos.  A escolha deve ser do Chefe de Governo, cabendo-lhe recrutar os melhores nas siglas que lhe apoiaram na eleição.

6 - Dr. Roberto, ideologicamente falando, o Brasil é independente? Ou o alinhamento ideológico com outros países, principalmente da América Latina, compromete a independência do nosso país?
Nem um país pode se considerar totalmente independente, porque sempre existiu interdependência entre as nações.  Mesmo os Estados Unidos hoje embora sendo o primeiro em matéria de força bélica, não teria condições de invadir um país como fez Bush no Iraque.

Com a Palavra...

O professor da Faculdade Maurício de Nassau e Cientista Político, Clóvis Miyachy fala sobre a conjuntura política do Brasil, em relação a "direita" e "esquerda" após a eleição de Dilma Roussef.











Aline Mariano, vereadora do Recife pelo PSDB (Partido Social Democrata Brasileiro) explica porque se considera de "centro".