sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Entrevista: Roberto Magalhães

O atual deputado federal pelo estado de Pernambuco, Roberto Magalhães, possui uma longa carreira na política recente brasileira. Ele é sobrinho de
 Agamenon Magalhães, que foi deputado estadual e deputado federal por Pernambuco, interventor e governador de Pernambuco, ministro do trabalho e da justiça, e professor catedrático de teoria geral do estado na Faculdade de Direito do Recife. É graduado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e possui doutorado em direito privado pela Universidade Federal de Pernambuco.
         Considerado um dos homens sérios da política brasileira, o Deputado conta com um currículo invejável. Filiado pelo partido Democratas (DEM), Roberto Magalhães encontra-se na sua quarta legislatura (1990/1994, 1994/1998, 2002/2006 e 2006/2010). Ele também foi governador do estado de Pernambuco de 1983/1986 e prefeito da cidade do Recife de 1996/2000.
        
1 - Dr. Roberto, ideologicamente como o Senhor se define? Quais os principais fatores que levaram o Senhor ao partido Democratas?
Me defino como tendo sido um político vitorioso.  Fui Vice Governador e Governador de Pernambuco, Prefeito do Recife e Deputado Federal, durante a minha trajetória recebi 3.715.537 votos dos Pernambucanos.  Não me considero um político de direita, costumo me guiar pela coerência, isso pode ser comprovado em todas as minhas atitudes e sobretudo pelo fato de ter me submetido ao voto direto em 08 eleições, sendo 04 majoritárias.  No que diz respeito a escolha partidária, posso dizer que quando fui convidado para ser Secretário de Educação do Estado de Pernambuco, na gestão do saudoso Nilo Coelho, passei a participar de um grupo o qual hoje é filiado ao DEMOCRATAS.

2 - Dr. Roberto, por favor, defina o momento político brasileiro, sob o ponto de vista ideológico?
Tanto Lula como seus principais auxiliares, assim como a nova Presidente Dilma Roussef se dizem socialistas, mas o socialista tem diferentes gradações, pode ser democrático por princípio, pode ser democrático por conveniência e pode ser democrático nas aparências mas ter um claro viés autoritário.

3 - Dr. Roberto, qual o conselho que o Senhor daria a um jovem político, dito de direita,  que inicia sua carreira em Pernambuco?
Diria que antes de iniciar sua carreira política fizesse algumas colocações, como: Por que quero ser político?  Como político, o que procurarei fazer?  Terei zelo pela coisa pública?  Caso as respostas sejam satisfatórias, gostaria de adverti-lo sobre a escolha do partido que deve estar harmonizado com a sua ideologia e ao mesmo tempo seja dirigido e tenha quadros importantes que se dispunham ajudá-lo.  As vezes um Partido atrapalha mais do que ajuda.

4 - Dr. Roberto, sua atuação política foi e é marcada pela coerência, honestidade, seriedade com a coisa pública e, sobretudo pela firmeza dos seus atos. O Sr. acha que esses atributos estão em falta no atual quadro político ideológico brasileiro?
Sempre houve carência dessas virtudes na política, mas atualmente a corrupção alcançou um grau que perigosamente levou uma grande parte dos brasileiros, isso vai gradativamente acostumando à banalização da corrução no serviço público.

5 - Dr. Roberto, no governo,  como o Sr. enfrentaria uma situação semelhante a que ocorre no RJ, aqui em PE?
Faria o que fiz como Governador de Pernambuco, escolhendo bem os Comandantes da Tropa Militar, especialmente o Comandante da Polícia Militar, e Secretrário da Segurança Pública que me fossem leais.  Sou contrário a indicações de Secretários Estaduais e de Ministros, no âmbito Federal, indicados por Partidos.  A escolha deve ser do Chefe de Governo, cabendo-lhe recrutar os melhores nas siglas que lhe apoiaram na eleição.

6 - Dr. Roberto, ideologicamente falando, o Brasil é independente? Ou o alinhamento ideológico com outros países, principalmente da América Latina, compromete a independência do nosso país?
Nem um país pode se considerar totalmente independente, porque sempre existiu interdependência entre as nações.  Mesmo os Estados Unidos hoje embora sendo o primeiro em matéria de força bélica, não teria condições de invadir um país como fez Bush no Iraque.

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