sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Há Direita?

Por Fabio Jardelino


Não seria errado dizer que hoje em dia o mundo tende a extinguir as vertentes políticas, seja ela de Direita ou de Esquerda. A luta travada por essas duas correntes ideológicas, desde as suas consolidações no sec. 20, foi algo inédito na historia da humanidade. Contudo, essa “luta” não conseguiu resistir ao tempo. Até 1989, ano que foi derrubado o muro de Berlin, o maior símbolo da guerra ideológica travada pelos Estados Unidos com seu capitalismo neoliberal e pela União Soviética, atual Rússia, carro chefe do comunismo, o mundo vivia uma divisão de lados; ou se era de Direita ou se era de Esquerda.   
           
 Seguindo essa linha, o Brasil precisava decidir um lado. Para isso deve-se considerar o histórico dos governantes que assumiram o poder desde o fim da republica velha. Dentre eles, podemos citar Gétulio Vargas como ditador e depois como presidente eleito de 1951 e por Juscelino kubitschek, presidente que criou o distrito federal, Brasília. Em 1961, Janio quadros renuncia ao poder e assume o seu inimigo político João Goulart, até então vice-presidente do Brasil. Muito próximo de Brizola, político que defendia a bandeira vermelha do comunismo, o medo de um possível golpe comunista foi pairando nas terras nacionais. Impulsionado pelos Estados Unidos, em março de 1964, o Exército mobiliza suas tropas e parte para o que mais tarde se chamaria de Revolução Militar de 64 (ou golpe de 64), onde Goulart é deposto do poder, para o general Castelo Branco assumir o papel de presidente. Aparentemente, estava decidido que o Brasil havia rumado para a Direita, ficando ao lado dos Estados Unidos, líder do capitalismo.
           
 Nessa época que o Brasil viveu sobe a ditadura militar, ficou parcialmente definido o que era direita e esquerda. O principal partido do governo, a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), de direita, se opunha ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que em decorrência dos vetos do governo, não tinha força política. Vindo aos dias atuais, o Democratas (DEM) antigo Partido da Frente Liberal (PFL), é o atual “herdeiro” político da ARENA. Apesar disso, não se pode considerar o DEM como sendo um partido de direita. Do outro lado, temos o Partido dos Trabalhadores (PT), surgido em 1980, seguindo a linha esquerdista sindical. O PT, que atualmente é o partido da situação, sendo a Presidenta eleita da República, Dilma Roussef e Lula, Presidente do Brasil, como seus principais líderes. Apesar disso, assim como o DEM, não podemos considerar o PT como um partido de esquerda. Tanto pela linha econômica que segue, quanto pelas alianças políticas que possui. Então, porque continuam com essa bipolarização política no Brasil? A verdade é que a sociedade precisa de uma ideologia para seguir ou ao menos para entender o processo político.            
          
 Se considerar de Direita no Brasil de hoje é uma tarefa árdua. Apesar do PT, ser de esquerda e ter tendências conservadoras ou partidos tidos de direita, como o DEM, o PSDB ou o PPS, serem parcialmente liberais, ainda existem certas divisões ideológicas entre essa atual e enfraquecida “esquerda x direita”. Porém, não são essas diferenças que são levadas em consideração hoje em dia. Com apoio da propaganda política, quem se diz de direita é praticamente tachado de retrogrado ou até de Nazista (o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – NAZISTA – foi um partido político alemão, que apoiou Adolf Hitler durante a década de 30, até 1945, com a sua morte ao fim da segunda guerra mundial), ao contraponto disso, quem se diz de esquerda, é visto como “revolucionário” moderno, tendo pensamentos progressistas; usando uma bandeira de um falso comunismo, seguida de uma imagem distorcida de guerrilheiros como Chê Guevara e algumas figuras que marcaram a oposição ao golpe militar brasileiro, o esquerdismo utópico consegue adeptos.
           
 Direita no Brasil é sinônimo de “errado”. Por isso a bancada de oposição, da Direita ou centro-direita, está cada dia menor e mais sem forças para disputar com a situação que é “de esquerda”. Isso tudo soa muito perigoso, visto que a distancia de um governo democrático sem oposição para um ditatorial é muito pequena.

Um comentário:

  1. "Quem não foi comunista aos dezoito anos, não teve juventude, quem é depois dos trinta não tem juízo".

    carlos Lacerda, político da UDN (União Democrática Nacional) um dos principais partidos da história da direita no Brasil.

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