Em um primeiro momento as palavras: direita e esquerda, não passam de substantivos comuns em nosso dia-dia. Porém, quando entram no contexto político elas ganham dimensão e importância social e histórica. Se tornando uma das maiores disputas da história mundial. O filósofo político italiano, Noberto Bobbio definia assim, esses conceitos políticos: “Enquanto a esquerda acredita que todos os homens são iguais e devem ser tratados como iguais a direita acredita que os homens são diferentes e devem ter tratamento diferenciado”. Seja de qual forma e com propostas diferentes ambas buscam o mesmo propósito, o poder.
De acordo com o professor de história, João Francisco, o conceito de esquerda e direita tem origem no fim do século XVIII durante a Revolução Francesa. Segundo ele, durante as assembléias constituintes organizadas pelo rei Luis XVI, existiam dois grupos opostos, uns eram compostos pelos nobres, burgueses, proprietários de terra e parte do clérigo e ficavam a direita do plenário, já os outros que ficavam a esquerda, eram membros da pequena burguesia e pessoas que buscavam reformas maiores, como o fim da monarquia, por exemplo, esses ficavam a esquerda. “Com o início da Revolução de fato, eles se dividiram entre Girondinos (de direita) e Jacobinos (Esquerda), apesar de que vários dos girondinos eram originários da “esquerda”, conta o professor, que defende que mesmo com a queda da U.R.S.S, maior representante histórico para ele da “esquerda”, e o enfraquecimento mundial da política neo-liberal implantada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan e a ex-primeira ministra do Reino Unido Margaret Thatcher, que em sua opinião melhor representou o conceito de “direita”, ainda existe “esquerda” e “direita”, principalmente como conceito, propostas, porém não chegam ao poder com a mesma força. “Hoje um modelo mais “centrista”, que normalmente sempre pende para “direita” domina a política mundial”, Diz João Francisco.
O sociólogo e filósofo, Wladimir Souza, tem uma opinião diferente de João, para ele, “esquerda” e “direita” não existem mais. Com o termino do que ele define como “grandes utopias”: socialismo, comunismo, capitalismo, etc. “Hoje o que percebemos no aspecto social é o plural, complexo e heterogêneo. Portanto as grandes ideologias perderam sentido e significado. O que há hoje é a mistura, quem é de “esquerda” se une com quem é de “direita” e vice-versa. Cada um procura uma ideologia do sentido e significado da própria vida, sem projetos e uma ideologia (no sentindo político) definida, isso é a pós-modernidade”, disse Wladimir, que não crer na volta, mesmo que com uma evolução conceitual, da “esquerda” ou “direito”, para ele a mistura proporcionada pela pós-modernidade irá cada vez se propagar mais, fazendo as pessoas buscarem a absorver o plural para construir sua própria ideologia.
Hoje mesmo dentro dessa pós-modernidade, muitos ainda seguem, ou dizem seguir, os conceitos de “esquerda” e “direita”, já outros realmente procuram apenas absorver o que de melhor as ideologias tem a dar e definem como pessoas de “centro”, todos buscando seus espaços dentro de uma conjuntura política democrática, ou não.


