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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Entrevista: Plínio de Arruda Sampaio

Com 80 anos de vida, mais de 40 destes dedicados À esquerda, o advogado e professor e candidato a presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), Plinio de Arruda Sampaio é um dos principais expoentes da esquerda no Brasil, além disso, ele atualmente preside a Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), além de dirigir o semanário Correio da Cidadania, sendo um dos nomes mais importantes quando o assunto é direitos sociais. E é essa importante figura da política nacional que o blog Os Lados da Política entrevistou. Nessa entrevista ele fala sobre a situação da esquerda no país, seu futuro e os principais desafios.

        O que é ser de esquerda?

Plinio Arruda: Ser de esquerda é ser socialista. De esquerda quem prioriza o povo; de direita, quem prioriza o capital.

2)          Você vê a divisão da esquerda entre pensamentos como, Trotskismo, Maoísmo, Leninismo, entre outros, como algo positivo, ou que serve apenas para “separar” e consequentemente atrapalhar uma vitória da esquerda? E pegando gancho nesse assunto, isso acontece no Brasil, com a separação dos partidos declarados de esquerda, como Psol, PSTU, PCB e PCO?
PA: Diferenças não são, em principio, negativas. O modo de discuti-las é que conduz à divisão. Isto vale para a separação entre os partidos de esquerda nacionais.

3)         Nas ultimas eleições presidenciais juntos os quatro partidos declarados de esquerda não conseguiram 1% dos votos, por quê? O Brasil não está preparado ainda para um governo realmente de esquerda?
PA: Este é o principal motivo.

4)         Ocorrendo um governo de esquerda não há o risco de outro golpe militar ou se não militar, da “grande mídia” ou dos banqueiros e grandes empresários?
PA: Sim. Toda vez que um governo aproximar-se da esquerda, a direita se mobilizará para derrubá-lo.

5)          A esquerda no Brasil não está muito “acadêmica”, técnica demais, ou seja, muitas propostas, idéias e pouca participação, pouca influência entre comunidades mais pobres ou no interior do Brasil? Não está se resumindo demais as grandes cidades?
PA: A esquerda não consegue ultrapassar um circulo estreito de pessoas por causa da mídia e também por causa, não do seu academicismo, mas por falta de estudo sério do marxismo e da realidade brasileira.

6)           Hoje, qual o maior inimigo da esquerda. A “grande mídia”, empresários (banqueiros, por exemplo) à direita, ou todos são a mesma coisa?
PA: Os empresários e a grande mídia.

7)          Qual o futuro da esquerda na conjuntura política mundial, ainda há espaço para o “comunismo bruto”, ou ele precisa se reinventar ou modernizar?
PA: Tenho insistido na necessidade de reformular a proposta sem afetar sua essência.
   
8)         O que você diria para quem fala que esquerda e direita não existem mais?
PA: Diria que é um discurso de direita, destinado a impedir que as pessoas examinem esta alternativa de poder.

Entrevista: Roberto Magalhães

O atual deputado federal pelo estado de Pernambuco, Roberto Magalhães, possui uma longa carreira na política recente brasileira. Ele é sobrinho de
 Agamenon Magalhães, que foi deputado estadual e deputado federal por Pernambuco, interventor e governador de Pernambuco, ministro do trabalho e da justiça, e professor catedrático de teoria geral do estado na Faculdade de Direito do Recife. É graduado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e possui doutorado em direito privado pela Universidade Federal de Pernambuco.
         Considerado um dos homens sérios da política brasileira, o Deputado conta com um currículo invejável. Filiado pelo partido Democratas (DEM), Roberto Magalhães encontra-se na sua quarta legislatura (1990/1994, 1994/1998, 2002/2006 e 2006/2010). Ele também foi governador do estado de Pernambuco de 1983/1986 e prefeito da cidade do Recife de 1996/2000.
        
1 - Dr. Roberto, ideologicamente como o Senhor se define? Quais os principais fatores que levaram o Senhor ao partido Democratas?
Me defino como tendo sido um político vitorioso.  Fui Vice Governador e Governador de Pernambuco, Prefeito do Recife e Deputado Federal, durante a minha trajetória recebi 3.715.537 votos dos Pernambucanos.  Não me considero um político de direita, costumo me guiar pela coerência, isso pode ser comprovado em todas as minhas atitudes e sobretudo pelo fato de ter me submetido ao voto direto em 08 eleições, sendo 04 majoritárias.  No que diz respeito a escolha partidária, posso dizer que quando fui convidado para ser Secretário de Educação do Estado de Pernambuco, na gestão do saudoso Nilo Coelho, passei a participar de um grupo o qual hoje é filiado ao DEMOCRATAS.

2 - Dr. Roberto, por favor, defina o momento político brasileiro, sob o ponto de vista ideológico?
Tanto Lula como seus principais auxiliares, assim como a nova Presidente Dilma Roussef se dizem socialistas, mas o socialista tem diferentes gradações, pode ser democrático por princípio, pode ser democrático por conveniência e pode ser democrático nas aparências mas ter um claro viés autoritário.

3 - Dr. Roberto, qual o conselho que o Senhor daria a um jovem político, dito de direita,  que inicia sua carreira em Pernambuco?
Diria que antes de iniciar sua carreira política fizesse algumas colocações, como: Por que quero ser político?  Como político, o que procurarei fazer?  Terei zelo pela coisa pública?  Caso as respostas sejam satisfatórias, gostaria de adverti-lo sobre a escolha do partido que deve estar harmonizado com a sua ideologia e ao mesmo tempo seja dirigido e tenha quadros importantes que se dispunham ajudá-lo.  As vezes um Partido atrapalha mais do que ajuda.

4 - Dr. Roberto, sua atuação política foi e é marcada pela coerência, honestidade, seriedade com a coisa pública e, sobretudo pela firmeza dos seus atos. O Sr. acha que esses atributos estão em falta no atual quadro político ideológico brasileiro?
Sempre houve carência dessas virtudes na política, mas atualmente a corrupção alcançou um grau que perigosamente levou uma grande parte dos brasileiros, isso vai gradativamente acostumando à banalização da corrução no serviço público.

5 - Dr. Roberto, no governo,  como o Sr. enfrentaria uma situação semelhante a que ocorre no RJ, aqui em PE?
Faria o que fiz como Governador de Pernambuco, escolhendo bem os Comandantes da Tropa Militar, especialmente o Comandante da Polícia Militar, e Secretrário da Segurança Pública que me fossem leais.  Sou contrário a indicações de Secretários Estaduais e de Ministros, no âmbito Federal, indicados por Partidos.  A escolha deve ser do Chefe de Governo, cabendo-lhe recrutar os melhores nas siglas que lhe apoiaram na eleição.

6 - Dr. Roberto, ideologicamente falando, o Brasil é independente? Ou o alinhamento ideológico com outros países, principalmente da América Latina, compromete a independência do nosso país?
Nem um país pode se considerar totalmente independente, porque sempre existiu interdependência entre as nações.  Mesmo os Estados Unidos hoje embora sendo o primeiro em matéria de força bélica, não teria condições de invadir um país como fez Bush no Iraque.

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